sábado, 24 de setembro de 2011

Vida de professor(a) não é fácil!

Quando pensei em ser professor, o que aconteceu?
Os sonhos mais lindos, sonhei. De que eras mil, um castelo ergui.
Ao encontrar os alunos com dificuldades, o que eu disse?
Levanta sacode a poeira e da à volta por cima.
E quando um aluno me magoou, em que pensei?
Ainda vei levar um tempo pra fechar o que feriu por dentro, é natural que seja assim, tento pra você quanto pra mim.
Mas quando começou a aula qual foi a sensação?
Quando eu estou aqui eu vivo esse momento lindo. Olhando pra vocês e a mesma emoção sentindo.
Quando meus alunos estão desanimados, com problemas do dia-a-dia, o que lhes digo?
Canta, canta minha gente, deixa a tristeza pra lá. Canta forte, canta alto que a vida vai melhorar, que a vida vai melhorar!!
Como reajo as emoções?
Tudo que se vê não é igual ao que se viu a um segundo. Tudo munda o tempo todo num segundo. Não adianta fugir,  nem mentir pra si mesmo agora. Há tanta vida lá fora, aqui dentro sempre como uma onda no mar, como uma onda no mar.
Ser professor é...
Viver e não ter a vergonha de ser feliz. Cantar e cantar e cantar a beleza de ser um eterno aprendiz. Eu sei que a vida podia ser bem melhor e será. Mas isso não impede que eu repita: é bonita, é bonita, e é bonita.
E quando quero descobrir se estou no caminho certo...
Olho pro céu e vejo uma nuvem branca que vai passando, olha pra terra e vejo uma multidão que vai caminhando. Como essa nuvem branca a gente não sabe aonde vai Quem poderá dizer o caminho certo é Você Meu Pai... Jesus Cristo, Jesus Cristo, Jesus Cristo eu estou aqui.
E quando chega o dia do pagamento...
Então vem. Que eu contos os dias, contos às horas pra ti ver, eu não consigo te esquecer, cada minuto é muito tempo sem você... Sem você.

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Não espere... Você já perdeu tempo demais!

Não espere... Você já perdeu tempo demais!


Não espere um sorriso...
Para ser gentil.
Não espere ser amado...
Para amar
Não espere ficar sozinho...
Para sentir o valor de um amigo.
Não espere ficar de luto...
Para ver o quanto uma pessoa é importante em sua vida.
Não espere o melhor emprego...
Para começar a trabalhar.
Não espere a queda...
Para lembrar-se do conselho.
Não espere...
Não espere a enfermidade...
Para perceber quão frágil é a vida.
Não espere a pessoa perfeita...
Para então se apaixonar.
Não espere a magoa...
Para pedir o perdão.
Não espere a separação...
Para tentar a conciliação.
Não espere a dor...
Para acreditar no poder da oração.
Não espere elogios...
Para acreditar em si mesmo.
Não espere ter tempo...
Para servir.
Não espere que o outro tome a iniciativa...
Se você foi o culpado.
Não espere ouvir eu te amo...
Para dizer eu também.
Não espere ter dinheiro aos montes...
Para então contribuir.
Não espere o dia de sua morte...
Sem antes amar a vida.
Então o que você está esperando?

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

OS SETE CONSTITUINTES






Quem já passou no sertão
E viu o solo rachado,
A caatinga cor de cinza,
Duvido não ter parado
Pra ficar olhando o verde
Do juazeiro copado.

E sair dali pensando:
Como pode a natureza
Num clima tão quente e seco,
Numa terra indefesa
Com tanta adversidade
Criar tamanha beleza.

O juazeiro, seu moço,
É pra nós a resistência,
A força, a garra e a saga,
O grito de independência
Do sertanejo que luta
Na frente da emergência.

Nos seus galhos se agasalham
Do periquito ao cancão.
É hotel do retirante
Que anda de pé no chão,
O general da caatinga
E o vigia do sertão.

E foi debaixo de um deles
Que eu vi um porco falando,
Um cachorro e uma cobra
E um burro reclamando,
Um rato e um morcego
E uma vaca escutando.

Isso já faz tanto tempo
Que eu nem me lembro mais
Se foi pra lá de Fortim,
Se foi pra cá de Cristais,
Eu só me lembro direito
Do que disse os animais.

Eu vinha de Canindé
Com sono e muito cansado,
Quando vi perto da estrada
Um juazeiro copado.
Subi, armei minha rede
E fiquei ali deitado.

Como a noite estava linda,
Procurei ver o cruzeiro,
Mas, cansado como estava,
Peguei no sono ligeiro.
Só acordei com uns gritos
Debaixo do juazeiro.

Quando eu olhei para baixo
Eu vi um porco falando,
Um cachorro e uma cobra
E um burro reclamando,
Um rato e um morcego
E uma vaca escutando.

O porco dizia assim:
– “Pelas barbas do capeta!
Se nós ficarmos parados
A coisa vai ficar preta...
Do jeito que o homem vai,
Vai acabar o planeta.

Já sujaram os sete mares
Do Atlântico ao mar Egeu,
As florestas estão capengas,
Os rios da cor de breu
E ainda por cima dizem
Que o seboso sou eu.

Os bichos bateram palmas,
O porco deu com a mão,
O rato se levantou
E disse: – “Prestem atenção,
Eu também já não suporto
Ser chamado de ladrão.

O homem, sim, mente e rouba,
Vende a honra, compra o nome.
Nós só pegamos a sobra
Daquilo que ele come
E somente o necessário
Pra saciar nossa fome.”

Palmas, gritos e assovios
Ecoaram na floresta,
A vaca se levantou
E disse franzindo a testa:
– “Eu convivo com o homem,
Mas sei que ele não presta.

É um mal-agradecido,
Orgulhoso, inconsciente.
É doido e se faz de cego,
Não sente o que a gente sente,
E quando nasce e tomando
A pulso o leite da gente.

Entre aplausos e gritos,
A cobra se levantou,
Ficou na ponta do rabo
E disse: – “Também eu sou
Perseguida pelo homem
Pra todo canto que vou.

Pra vocês o homem é ruim,
Mas pra nós ele é cruel.
Mata a cobra, tira o couro,
Come a carne, estoura o fel,
Descarrega todo o ódio
Em cima da cascavel.

É certo, eu tenho veneno,
Mas nunca fiz um canhão.
E entre mim e o homem,
Há uma contradição
O meu veneno é na presa,
O dele no coração.

Entre os venenos do homem,
O meu se perde na sobra...
Numa guerra o homem mata
Centenas numa manobra,
Inda tem cego que diz:
Eu tenho medo de cobra.”

A cobra inda quis falar,
Mas, de repente, um esturro.
É que o rato, pulando,
Pisou no rabo do burro
E o burro partiu pra cima
Do rato pra dar-lhe um murro.

Mas, o morcego notando
Que ia acabar a paz,
Pulou na frente do burro
E disse: – “Calma, rapaz!...
Baixe a guarda, abra o casco,
Não faça o que o homem faz.”

O burro pediu desculpas
E disse: – “Muito obrigado,
Me perdoe se fui grosseiro,
É que eu ando estressado
De tanto apanhar do homem
Sem nunca ter revidado.”

O rato disse: – “Seu burro,
Você sofre porque quer.
Tem força por quatro homens,
Da carroça é o chofer...
Sabe dar coice e morder,
Só apanha se quiser.”

O burro disse: – “Eu sei
Que sou melhor do que ele.
Mas se eu morder o homem
Ou se eu der um coice nele
É mesmo que estar trocando
O meu juízo no dele.

Os bichos todos gritaram:
– “Burro, burro... muito bem!”
O burro disse: – “Obrigado,
Mas aqui ainda tem
O cachorro e o morcego
Que querem falar também.”

O cachorro disse: – “Amigos,
Todos vocês têm razão...
O homem é um quase nada
Rodando na contramão,
Um quebra-cabeça humano
Sem prumo e sem direção.

Eu nunca vou entender
Por que o homem é assim:
Se odeiam, fazem guerra
E tudo o quanto é ruim
E a vacina da raiva
Em vez deles, dão em mim.”

Os bichos bateram palmas
E gritaram: – “Vá em frente.”
Mas o cachorro parou,
Disse: – “Obrigado, gente,
Mas falta ainda o morcego
Dizer o que ele sente.”

O morcego abriu as asas,
Deu uma grande risada
E disse: – “Eu sou o único
Que não posso dizer nada
Porque o homem pra nós
Tem sido até camarada.

Constrói castelos enormes
Com torre, sino e altar,
Põe cerâmica e azulejos
E dão pra gente morar
E deixam milhares deles
Nas ruas, sem ter um lar.”

O morcego bateu asas,
Se perdeu na escuridão,
O rato pediu a vez,
Mas não ouvi nada, não.
Peguei no sono e perdi
O fim da reunião.

Quando o dia amanheceu,
Eu desci do meu poleiro.
Procurei os animais,
Não vi mais nem o roteiro,
Vi somente umas pegadas
Debaixo do juazeiro.

Eu disse olhando as pegadas:
Se essa reunião
Tivesse sido por nós,
Estava coberto o chão
De piubas de cigarros,
Guardanapo e papelão.

Botei a maca nas costas
E saí cortando o vento.
Tirei a viagem toda
Sem tirar do pensamento
Os sete bichos zombando
Do nosso comportamento.

Hoje, quando vejo na rua
Um rato morto no chão,
Um burro mulo piado,
Um homem com um facão
Agredindo a natureza,
Eu tenho plena certeza:
Os bichos tinham razão